Um dos primeiros precursores da locomotiva
a vapor foi o veículo autopropulsor idealizado em Pequim, no ano de
1681, pelo jesuíta francês Ferdinand Verbiest. Em 1769, Joseph
Cugnot, militar francês, construiu em Paris um veículo a vapor
destinado ao transporte de munição. O aparecimento da locomotiva, e
com ela o das vias férreas, está associado tradicionalmente ao nome
do engenheiro inglês Richard Trevithick.
O protótipo era muito rudimentar:
tratava-se de uma caldeira na horizontal, apoiada por quatro rodas.
Para os leigos, ela não passava de um enorme tonel deitado, com
chaminé e rodas. Trevithick teve que fazer muita propaganda, pois
poucos viam futuro "naquilo". Até que o inventor foi desafiado pelo
proprietário de uma mina. O mineiro queria observar o desempenho da
engenhoca sobre 15 quilômetros de trilhos. Após várias tentativas,
Trevithick construiu em 1804 uma locomotiva de quatro rodas que
podia deslizar sobre trilhos de ferro fundido. O teste foi marcado
para o dia 13 de fevereiro de 1804. Trevithick provou que sua
máquina podia transportar tanto pessoas como materiais. No caso, a
máquina de tração levou 70 pessoas e nove toneladas de carvão em
cinco vagões, além de setenta passageiros, a uma velocidade de oito
quilômetros por hora. A euforia inicial, entretanto, durou pouco,
devido a alguns problemas. A máquina, pesada demais, logo voltou a
ser substituída pelo cavalo.
Esse feito motivou os engenheiros a estudar
a possibilidade de construir vias férreas e conjuntos de veículos
capazes de percorrê-las.
Entretanto, ficou comprovado que as rodas
da locomotiva patinavam sobre os trilhos, sem conseguir mover o
trem. Não existia uma proporção exata entre o peso da locomotiva e
a carga que deveria puxar e começou-se a buscar soluções para a
questão. Uma delas consistia em lubrificar os trilhos para diminuir
o esforço de tração, recurso que teve de ser rejeitado, já que o
óleo diminuía a aderência necessária. O inglês John Blenkinsop
propôs algo diferente: em 1812, construiu uma locomotiva que, ao
deslocar-se sobre dois trilhos de ferro fundido, dispunha de dois
cilindros verticais, que movimentavam dois eixos unidos a uma roda
dentada. Essa roda acionava uma cremalheira, que corria entre os
trilhos.
Entretanto o fator decisivo para a evolução
das ferrovias foi o trabalho do inglês George Stephenson, mecânico
das minas de Killingworth, que em 1814 construiu sua primeira
locomotiva a vapor para o trem mineiro de Killingworth. Essa
máquina, a Blücher, era capaz de puxar trinta toneladas de carga, a
uma velocidade de seis quilômetros por hora. A inovação estrutural
que solucionou o problema da aderência consistiu em unir as rodas
por meio de correntes e fazer com que todos os eixos participassem
da tração.
Entusiasmado com seu êxito, Stephenson
construiu, entre 1823 e 1825, uma linha férrea que ligava a pequena
cidade de Stockton ao vale mineiro de Darlington, no norte da
Inglaterra. Tinha 61 km de comprimento, via dupla em dois terços do
percurso e foi inaugurada em 27 de setembro de 1825. A partir de
então a expansão das ferrovias foi contínua, principalmente em
razão do apoio financeiro que começou a receber em todos os países
que assistiam, naquele momento, ao começo da revolução
industrial.
Stephenson também foi encarregado de
construir, em 1829, a estrada de ferro Liverpool-Manchester,
inaugurada em 15 de setembro de 1830. Utilizou em sua locomotiva,
chamada The Rocket ("O Foguete"), a caldeira tubular, inventada
pelo engenheiro francês Marc Séguim, que multiplicava a capacidade
de aquecimento ao fazer passar o ar quente, procedente da
combustão, através de um sistema de tubos imersos na água da
própria caldeira. A velocidade atingida, de 32 km/h, foi
considerada um grande avanço em relação aos 24 km/h da via
Stockton-Darlington. Foi a primeira ferrovia a conduzir trens de
passageiros em horários regulares.
Em meados do século XIX as rodas motrizes
passaram a ficar atrás da caldeira, o que permitiu o uso de rodas
de grande diâmetro, com sensível aumento da velocidade. Esses
avanços fizeram das locomotivas a vapor a forma dominante de tração
nas ferrovias, situação que perduraria por mais de um
século.
As locomotivas de Stephenson usadas nas
primeiras ferrovias de serviço público com o tempo aumentaram em
tamanho e potência. Também a primeira locomotiva usada para o
transporte de passageiros na Alemanha veio de sua fábrica. Seu nome
era "Adler" (águia) e a partir de 1835 ela passou a ligar as
cidades vizinhas de Nuremberg e Fürth, no sul da
Alemanha.
Stephenson foi também quem pela primeira
vez sentiu a necessidade de padronizar as bitolas das ferrovias do
país. A bitola adotada para as ferrovias por ele construídas -
1,435m -tinha a largura dos eixos das carroças puxadas por cavalos,
que correspondia a 4 pés e 8,5 polegadas no sistema inglês de
medida. Esta bitola foi adotada pela maioria das ferrovias
européias, norte-americanas e canadenses.